Coisas que eu acho chique na maternidade
Antes de ser mãe, eu tinha uma ideia bem diferente de luxo.
Talvez luxo fosse viajar.
Comprar alguma coisa bonita.
Ir a um restaurante sem pressa.
Passar horas no salão.
Ter um dia inteiro livre.
Mas aí eu virei mãe.
E, sinceramente?
Meu conceito de luxo mudou completamente.
Hoje, eu acho chique mesmo é ir ao banheiro sozinha.
Sem plateia.
Sem alguém batendo na porta.
Sem uma criança perguntando:
“Mãe, você tá fazendo cocô?”
Sim, filha.
Estou.
E essa era uma informação que eu gostaria de viver em paz. 😂
Luxo é tomar café quente
Outra coisa chiquérrima na maternidade é tomar café quente.
Não morno.
Não requentado três vezes no micro-ondas.
Não aquele café que você fez às oito da manhã e lembrou de beber ao meio-dia.
Café quente mesmo.
Na temperatura certa.
Tomado sentada.
De preferência sem precisar levantar para pegar água, limpar leite derramado, procurar uma boneca desaparecida ou resolver uma briga por causa de um brinquedo que ninguém queria até a irmã pegar.
Depois que a gente vira mãe, café quente vira praticamente um evento social.
Comer sentada também é luxo
Comer sentada, então, nem se fala.
Comer sentada do começo ao fim parece coisa de novela.
Porque, normalmente, a mãe senta, coloca a comida no prato e, antes da primeira garfada, alguém precisa de alguma coisa.
“Mãe, quero água.”
“Mãe, caiu meu talher.”
“Mãe, ela pegou minha comida.”
“Mãe, limpa aqui.”
E quando você finalmente volta para o prato, a comida já está fria, misturada com a sensação de que você participou de uma maratona.
Então, sim.
Comer sentada, em silêncio, até terminar o prato, é luxo.
E dos grandes.
Banho em paz é praticamente spa
Banho sem audiência também entrou para a lista das coisas mais sofisticadas da vida adulta materna.
Antes dos filhos, banho era só banho.
Depois dos filhos, banho virou retiro espiritual.
Um momento de reconexão.
Um spa improvisado com shampoo, sabonete e alguns minutos sem ouvir “mãããe”.
Claro que nem sempre dá certo.
Às vezes, a criança abre a porta só para perguntar:
“Você tá tomando banho?”
E a gente precisa respirar fundo e aceitar que a privacidade, nessa fase da vida, é quase um item de luxo importado.
Sair de casa sem carregar a casa junto
Outra coisa que eu acho extremamente chique é sair de casa sem carregar metade da casa junto.
Uma bolsa pequena.
Só a chave, o celular e talvez um batom.
Que sonho.
Porque, na maternidade, sair de casa normalmente parece mudança.
Tem troca de roupa.
Fralda.
Garrafinha.
Lanche.
Casaco.
Brinquedo.
Lenço umedecido.
Remédio.
Mais um casaco, porque vai que esfria.
Mais um lanche, porque vai que dá fome.
Mais um brinquedo, porque vai que alguém surta.
E quando você percebe, está carregando uma estrutura completa de sobrevivência para ficar duas horas fora.
O luxo mudou de endereço
A maternidade redefine tudo.
Inclusive o que a gente considera chique.
Hoje, luxo não precisa ter brilho, salto alto ou taça bonita.
Luxo pode ser silêncio por três minutos.
Pode ser tomar um café antes dele esfriar.
Pode ser terminar uma frase sem ser interrompida.
Pode ser deitar sem alguém subir em cima.
Pode ser dormir quatro horas seguidas.
Pode ser comer sentada.
Pode ser fechar a porta do banheiro.
Pode ser sair de casa sem parecer que está fugindo de uma catástrofe natural.
E talvez seja engraçado perceber que a gente chegou nesse ponto.
Mas é real.
Na maternidade, os pequenos respiros viram grandes privilégios.
As coisas simples viram luxo.
E os minutos de paz viram ostentação.
Porque, depois que a gente vira mãe, a régua muda.
E, sinceramente?
Luxo é isso.
O resto é ostentação. 😂
Com carinho, Mamãe Ju 🤍