Eu não invejo o sono do meu marido
Eu já vi muitas frases por aí dizendo algo como:
“Enquanto eu acordo de madrugada para amamentar, meu marido dorme.”
Ou:
“Eu queria ser o pai.”
E eu entendo de onde isso vem.
Entendo mesmo.
Porque a maternidade, especialmente nessa fase de noites quebradas, corpo cansado, bebê mamando, criança chamando e sono interrompido, pode ser muito exaustiva. 🥱
Tem madrugadas em que parece que o mundo inteiro está dormindo, menos você.
E ali, no escuro do quarto, com uma criança no colo, dá mesmo a sensação de que a gente está carregando tudo sozinha.
Mas, essa noite, aconteceu uma coisa.
Minha filha acordou várias vezes para mamar. Eu levantei, amamentei, ninei, ajeitei, voltei para a cama, levantei de novo. E, em uma dessas vezes, olhei para o meu marido dormindo.
Por um segundo, lembrei dessas frases.
Aquelas frases de “queria ser ele”, “queria dormir como ele”, “queria trocar de lugar”.
Mas a verdade é que eu pensei outra coisa:
eu não invejo. 🤍
Não porque eu não esteja cansada.
Eu estou.
Não porque acordar de madrugada seja leve.
Não é.
Mas porque, quando ele acordar, outro peso começa para ele.
Cada um carrega um peso diferente
Aqui em casa, meu marido carrega uma responsabilidade enorme.
Ele levanta, trabalha, precisa render, precisa dar conta, precisa sustentar a nossa família.
E não é só trabalhar.
É carregar na cabeça a responsabilidade de manter a casa funcionando, garantir segurança, pagar contas, planejar o futuro, cuidar para que nada falte. 🏡
Eu trabalho também, mas hoje trabalho porque quero manter minha independência, porque gosto do que faço, porque isso também faz parte de mim.
Mas eu sei que, se eu quisesse ficar só com as meninas, ele seguraria essa escolha com amor.
E isso pesa.
Talvez não apareça em uma olheira, em um braço cansado de ninar ou em uma roupa manchada de leite.
Mas pesa.
Pesa na cabeça.
Pesa no peito.
Pesa naquela cobrança silenciosa de ter que dar conta.
Nem todo cansaço aparece igual
Às vezes, a gente olha o outro descansando e pensa:
“Que sorte.”
“Ele pode parar.”
“Ele pode mexer no celular.”
“Ele pode dormir.”
Mas a gente nem sempre sabe o que está acontecendo por dentro.
Nem sempre sabe o medo que ele sente.
A pressão que ele carrega.
A preocupação que está tentando esconder.
O tanto que ele também está cansado, mesmo que o cansaço dele tenha outro formato.
E isso não diminui o meu cansaço.
Mas me ajuda a lembrar que casamento não deveria ser uma disputa para ver quem sofre mais.
Não dá para olhar só para o bônus do outro
É muito fácil olhar para a parte boa da vida do outro.
Olhar para o marido dormindo e pensar:
“Eu queria isso.”
Mas, se a gente troca de lugar de verdade, não dá para escolher só o bônus.
Não dá para querer apenas o sono, o silêncio, o banho tranquilo, o celular na mão.
Junto vem o peso.
A cobrança.
A responsabilidade.
A angústia de garantir que a família tenha o que precisa.
E eu, sinceramente, não invejo essa carga. Não mesmo!
Eu admiro. 🤍
Porque eu sei que, muitas vezes, enquanto eu estou cansada de tanto cuidar, ele também está cansado de tanto sustentar.
E sustentar não é só no sentido financeiro.
É sustentar emocionalmente uma casa.
É tentar ser firme quando também está inseguro.
É tentar resolver quando também está sobrecarregado.
É levantar todos os dias sabendo que muita coisa depende de você.
Às vezes, o amor aparece de formas diferentes
A maternidade me ensinou muitas coisas.
Mas o casamento dentro da maternidade também ensina.
Ensina que nem sempre o amor aparece do jeito mais óbvio.
Às vezes, amor é acordar de madrugada para amamentar.
Às vezes, amor é levantar cedo e trabalhar mesmo cansado.
Às vezes, amor é segurar as contas.
Às vezes, amor é dizer: “Vai tomar banho, eu fico com elas.”
Às vezes, amor é sair pela casa juntando brinquedos e guardando nos poucos minutos de folga do trabalho.
Às vezes, amor é botar nossas filhas no carro e sair com elas para que eu tenha um tempo sozinha.
Aqui em casa, eu não vejo o meu marido como alguém que está livre do peso.
Eu vejo alguém que carrega um peso diferente do meu.
E talvez seja por isso que eu não consigo invejar.
Porque eu sei que, enquanto eu cuido muito por um lado, ele cuida muito por outro. 🤍
Não é sobre comparar, é sobre enxergar
Eu acho que a maternidade às vezes nos deixa tão cansadas que a gente começa a enxergar tudo pelo filtro da exaustão.
E é compreensível.
Quando estamos no limite, qualquer descanso do outro parece injusto.
Mas nem sempre é.
Às vezes, é só o outro tentando respirar também.
Não estou dizendo que toda mulher precisa sentir isso.
Nem que toda casa funciona assim.
Cada família tem uma realidade, uma divisão, uma história.
Mas, na minha, eu tenho pensado muito sobre isso.
Sobre como é importante enxergar o peso que não aparece.
A carga que não vira post.
O cansaço que não faz barulho.
A preocupação que o outro carrega calado.
Eu não invejo. Eu reconheço.
Nessa madrugada, com sono, amamentando, ninando e tentando voltar para a cama sem despertar a casa inteira, eu olhei para ele dormindo.
E não senti raiva.
Não senti inveja.
Senti reconhecimento. Senti amor. Senti gratidão!
Porque eu sei que, quando o dia começar, ele vai levantar e carregar a parte dele.
PS: Sei que você vai ler isso, porque é o meu maior fã. Então saiba que eu te amo com todo o meu coração e sou muito grata por tudo que faz pela nossa família!
Mamãe Ju