Existem lugares onde eu já não caibo mais 🌷
Recentemente eu descobri uma coisa que me deixou bastante triste.
Na verdade, não foi uma descoberta repentina. Foi daquelas coisas que a gente vai percebendo aos poucos, quase sem querer. Um convite que deixa de chegar. Uma conversa que vai ficando cada vez mais rara. Uma foto que aparece nas redes sociais e faz a gente pensar:
“Nossa… elas continuam se encontrando.”
E, de repente, eu entendi que a vida delas continuou… sem mim.
Eu tinha um grupo de amigas desde a infância. Crescemos juntas, passamos por muitas fases, dividimos histórias, risadas e momentos que eu realmente imaginava que levaríamos para sempre.
Mas a vida foi mudando.
Primeiro veio a minha filha mais velha. Com ela, minha rotina mudou completamente. Enquanto elas combinavam de sair para jantar ou ir a um bar à noite, eu estava em casa tentando fazer uma bebê dormir. Muitas vezes eu queria ir, sentia falta, mas simplesmente não conseguia.
Depois nasceu a minha segunda filha.
E a distância, que já existia, aumentou naturalmente.
Sem brigas.
Sem desentendimentos.
Sem ninguém anunciar que aquela amizade estava acabando.
Ela simplesmente foi ficando para trás.
Hoje eu olho e percebo que elas continuam vivendo, continuam criando novas memórias, continuam compartilhando a vida umas com as outras.
E eu já não faço mais parte disso.
Confesso que isso dói.
Dói perceber que você deixou de ocupar um espaço que, por muitos anos, parecia ser seu.
Confesso que fico tentando entender se alguém errou.
Se elas deveriam ter insistido mais.
Se eu deveria ter feito mais esforço.
Se elas deveriam continuar me convidando, mesmo sabendo que provavelmente eu não iria.
Ou se eu deveria ter insistido em estar presente, mesmo quando tudo parecia difícil.
Na verdade, acho que não existe um culpado. Acho que a vida simplesmente nos levou para momentos diferentes.
E isso acontece mais do que a gente imagina.
A maternidade muda a nossa rotina de um jeito que, às vezes, só outra mãe consegue compreender.
Hoje, quando penso em sair, eu procuro um restaurante que tenha parquinho.
Penso no horário da soneca.
No lanche.
Na troca de roupa.
Em quanto tempo posso ficar fora antes que uma das meninas comece a pedir colo ou demonstrar cansaço.
As minhas prioridades mudaram.
Os meus horários mudaram.
Até os assuntos que ocupam meus pensamentos mudaram.
E isso não significa que a vida delas esteja errada ou que a minha esteja mais certa.
Significa apenas que, neste momento, estamos vivendo capítulos muito diferentes da vida.
Talvez manter uma amizade quando as vidas seguem caminhos tão distintos exija um esforço dos dois lados.
E nem sempre esse esforço acontece. Não por falta de carinho, mas porque a vida também cansa. A vida também ocupa. E, muitas vezes, a gente só vai seguindo.
Acho que o mais difícil não é aceitar que as pessoas mudam.
É aceitar que, às vezes, nós também deixamos de caber em lugares que um dia chamamos de casa.
Isso não apaga tudo o que vivemos.
Não diminui o carinho.
Não transforma lembranças felizes em lembranças ruins.
Significa apenas que aquela amizade pertenceu muito àquela fase da minha vida.
Ainda dói.
Provavelmente vai doer por um tempo.
Mas também tenho aprendido que a maternidade abre espaço para novos encontros.
Pessoas que entendem por que às vezes cancelamos um compromisso de última hora.
Que sabem o que significa passar uma noite em claro.
Que compreendem que um café durante a tarde pode ser um grande acontecimento.
Talvez eu já não caiba em alguns espaços.
Mas isso não significa que eu tenha perdido o meu lugar.
Talvez eu só esteja descobrindo onde essa nova versão de mim pertence.
Mamãe Ju ♥