Mamãe Ju

Hoje eu sinto que falhei


O dia começou corrido desde cedo.

Tive compromisso de trabalho logo pela manhã, a rotina já saiu do lugar antes mesmo de começar e, quando percebi, eu estava tentando equilibrar tudo ao mesmo tempo.

Trabalho.

Cliente.

Casa.

Crianças.

Mensagens.

Prazos.

Pedidos.

Interrupções.

E, no meio disso tudo, elas estavam ali.

Minhas filhas.

Precisando de mim.

Chamando por mim.

Querendo atenção, colo, presença, paciência.

E eu tinha tão pouco para oferecer.

Hoje teve mais trabalho do que eu gostaria.

Teve menos brincadeira do que elas mereciam.

Teve menos paciência.

Mais broncas.

Mais respostas atravessadas.

Mais momentos em que eu queria ter respirado fundo antes de falar.

Hoje eu não fui a mãe que eu gostaria de ser.

Essa é uma frase difícil de escrever.

Mas talvez seja ainda mais difícil sentir.

Porque, no fim do dia, quando a casa vai ficando mais silenciosa e a correria diminui, vem aquela sensação pesada no peito.

A sensação de que eu poderia ter feito melhor.

Que eu deveria ter feito melhor.

Que elas mereciam mais de mim.

Mais calma.

Mais escuta.

Mais presença.

Mais colo.

Mais olhar nos olhos.

E hoje eu entreguei pouco.

Não porque eu não ame.

Não porque eu não me importe.

Mas porque eu também estava no limite.

E mesmo sabendo disso, a culpa vem.

A maternidade tem desses dias.

Dias em que a gente faz o que dá, mas o que dá parece pouco.

Dias em que a gente cuida, alimenta, organiza, trabalha, resolve, responde, insiste, levanta, continua — e ainda assim termina com a sensação de que não foi suficiente.

Hoje foi um desses dias.

Um dia em que eu fui mãe, profissional, dona de casa, adulta responsável e tantas outras versões de mim.

Mas nenhuma delas parece ter recebido o suficiente.

Principalmente a mãe.

Eu queria terminar o dia sentindo orgulho.

Mas hoje eu termino pedindo, em silêncio, que amanhã eu consiga fazer melhor.

Que amanhã eu tenha mais paciência.

Que amanhã eu consiga olhar para elas com mais calma.

Que amanhã eu consiga brincar um pouco mais, escutar um pouco melhor e lembrar, no meio da correria, que elas não precisam de uma mãe perfeita.

Mas precisam de mim.

E eu também preciso lembrar disso.

Porque talvez falhar em um dia não signifique ser uma mãe ruim.

Talvez signifique apenas que hoje foi pesado demais.

Então, hoje, eu só queria registrar isso:

eu sinto que falhei.

Mas eu amo minhas filhas profundamente.

E talvez seja justamente esse amor que faz doer tanto quando eu percebo que não fui a mãe que queria ser.

Amanhã, eu tento de novo.

E, se não der tudo certo, tento outra vez depois.

Porque a maternidade também é isso:

errar, sentir, reconhecer, pedir desculpas quando for preciso e continuar tentando ser melhor.

Um dia de cada vez.

Mamãe Ju ♥