Quando descansar também parece uma tarefa
Tem uma coisa que eu tenho percebido em mim ultimamente.
Quando eu estou com as minhas filhas, eu estou ocupada.
Tem alguém chamando, pedindo, querendo colo, querendo ajuda, querendo brincar, querendo alguma coisa.
A maternidade ocupa o corpo e a cabeça ao mesmo tempo.
Mas o mais curioso é que, quando eu fico sozinha por alguns minutos, eu continuo ocupada.
Hoje, por exemplo, meu marido foi buscar minha filha mais velha na escola e levou a menor junto.
Eu fiquei em casa.
Sozinha.
Silêncio.
Nenhuma criança me chamando.
Nenhuma urgência acontecendo.
Era, teoricamente, o momento perfeito para sentar no sofá e simplesmente… não fazer nada.
Só que meu cérebro aparentemente não recebeu essa informação.
Em vez de descansar, eu comecei a procurar alguma coisa para fazer.
Arrumar isso.
Resolver aquilo.
Adiantar alguma coisa.
Responder uma mensagem.
Pensar no que falta.
Porque ficar parada, de algum jeito, parece errado.
Quando o corpo para, a cabeça continua
Às vezes eu penso que a maternidade acostuma a gente a viver em estado de alerta.
Estamos sempre antecipando alguma coisa.
A próxima refeição.
O próximo banho.
A mochila da escola.
O horário do sono.
O que precisa comprar.
O que precisa lavar.
O que ficou pendente.
E talvez, depois de tanto tempo vivendo assim, o nosso corpo até consiga ficar sozinho por alguns minutos.
Mas a cabeça continua correndo.
É como se eu tivesse desaprendido a descansar.
E ainda tem a culpa de “não estar fazendo nada”
Tem também uma sensação muito estranha de que, se eu tenho alguns minutos livres, eu deveria aproveitá-los para ser útil.
Porque sempre existe alguma coisa que poderia ser feita.
A casa nunca está 100% pronta.
O trabalho nunca acaba.
Sempre existe uma roupa para guardar, uma coisa para organizar, uma mensagem para responder, alguma tarefa que poderia ser adiantada.
Então descansar começa a parecer desperdício de tempo.
E talvez essa seja a parte mais cansativa.
Porque até o descanso vira uma coisa que eu preciso justificar.
Mas eu também preciso existir sem produzir
Eu ainda estou aprendendo isso.
Que eu não preciso transformar cada intervalo em produtividade.
Que sentar dez minutos não significa preguiça.
Que olhar para o teto também pode ser necessário.
Que eu não preciso estar fazendo alguma coisa para justificar aquele tempo.
E, principalmente, que descansar também é uma necessidade.
Não um prêmio depois que tudo estiver pronto.
Até porque, sendo mãe, tudo nunca vai estar pronto. 😂
Talvez eu ainda demore um pouco para aprender a ficar em silêncio sem começar mentalmente uma lista de tarefas.
Mas pelo menos agora eu percebi.
E talvez seja assim que a gente começa:
entendendo que, às vezes, a coisa mais produtiva que uma mãe pode fazer é simplesmente parar.
Mesmo que por alguns minutos.
Mesmo que a cabeça reclame.
Mesmo que pareça estranho.
Porque mãe também precisa existir fora da função de resolver tudo.
Com carinho, Mamãe Ju 🤍