Quando o cansaço parece não ir embora
Faz um tempo que eu não escrevo por aqui.
E, sinceramente, não foi falta de assunto.
Foi falta de energia mesmo.
As últimas semanas têm sido muito cansativas. Minha filha mais nova está dormindo mal, acordando várias vezes durante a noite, e eu tenho começado os dias já cansada.
Sabe quando parece que o corpo levanta, mas a cabeça ainda não acordou?
É mais ou menos isso.
Às vezes eu penso em sentar para escrever alguma coisa e só a ideia já me cansa. Parece que minha cabeça está funcionando no limite há tanto tempo que, em algum momento, simplesmente deu um bug. 😂
“Hoje eu vou conseguir”
Quase todo dia eu acordo com boas intenções.
“Hoje eu vou ter mais paciência.”
“Hoje eu vou brincar mais.”
“Hoje eu vou fazer tudo com calma.”
Aí dá nove horas da manhã.
Já teve criança chorando por um motivo que eu não entendi.
Já teve pedido de brincadeira número 36.
O café esfriou.
Eu ainda não consegui terminar metade do que queria.
E eu já estou olhando para o relógio pensando:
Meu Deus… falta muito para acabar o dia?
E são nove horas da manhã. 😂
Parece que o copo vive cheio
A melhor forma que eu consigo explicar essa fase é imaginar um copo cheio até a borda.
Quando a gente está descansada, algumas coisas acontecem e ainda existe espaço.
Mas quando estamos exaustas, o copo já começa o dia quase transbordando.
Então qualquer coisa vira demais.
Um choro.
Uma birra.
Uma noite ruim.
Uma tarefa que deu errado.
Uma criança chamando “mãe” pela centésima vez.
Não é necessariamente aquilo que aconteceu.
É que já não existe espaço.
No fim de semana, por exemplo, deixamos as meninas um pouco com a minha sogra para eu tentar descansar.
E foi ótimo.
Parece que o nível daquele copo finalmente baixou um pouquinho.
Só que chegou segunda-feira, a rotina começou novamente e… pronto.
Lá estava ele cheio outra vez.
E junto com o cansaço vem a culpa
Talvez essa seja a parte que mais pesa.
Porque eu amo a minha vida.
Amo ser mãe das minhas duas meninas.
Não trocaria nossa família por nada.
Mas estar feliz com a vida que eu tenho não significa que eu não possa estar exausta vivendo essa mesma vida.
E tem uma coisa que pesa ainda mais por aqui: elas estão em fases completamente diferentes.
Minha filha mais nova está naquela fase super dengosa.
Quer colo.
Quer ficar perto.
Quer atenção o tempo inteiro.
Muitas vezes, quer mamar justamente no momento em que eu tento fazer alguma coisa com a irmã.
Já a minha mais velha está em uma fase em que quer brincar o tempo inteiro.
Quer faz de conta.
Quer que eu sente no chão.
Quer que eu seja personagem.
Quer me contar histórias e me colocar dentro daquele mundo imaginário que ela cria.
E eu quero participar.
Só que muitas vezes, quando finalmente sento para brincar com ela, a pequena aparece.
Sobe em mim.
Pede colo.
Pede mamar.
Precisa de alguma coisa.
E, de repente, eu sinto que não estou conseguindo estar inteira para nenhuma das duas.
A mais velha queria minha presença na brincadeira.
A menor queria meu colo.
E eu estou no meio, tentando me dividir em duas.
Talvez essa seja uma das partes mais difíceis de ter filhos pequenos em idades diferentes: as duas precisam muito da gente, mas precisam de formas diferentes.
E eu não consigo me multiplicar.
É aí que a culpa aperta.
Porque eu quero dar atenção.
Quero brincar.
Quero acolher.
Quero conversar.
Quero aproveitar essa fase delas.
Mas, às vezes, eu simplesmente não consigo entregar tudo ao mesmo tempo.
E quando o cansaço já está acumulado, essa sensação fica ainda maior e o que me resta é sentar e chorar.
Tem momentos em que eu termino o dia pensando que não dei atenção suficiente para nenhuma das duas.
Mesmo tendo passado o dia inteiro com elas.
E isso dói um pouco.
Eu estou cansada de me sentir cansada
E tem uma coisa que eu preciso admitir:
eu estou cansada de me sentir cansada.
Cansada de acordar já sem energia.
Cansada de passar o dia tentando me recuperar e nunca sentir que consegui.
Cansada de pensar que talvez uma boa noite de sono resolvesse tudo — e saber que provavelmente ainda assim eu precisaria de mais.
É muito difícil viver assim por muito tempo.
E, honestamente, eu não sei exatamente o que fazer.
Não tenho uma fórmula.
Não descobri uma rotina milagrosa.
Não encontrei um botão que desligue o cansaço.
Então eu sigo esperando que essa fase passe.
Mas tem uma coisa que eu não quero:
passar por ela desejando tanto que acabe, a ponto de esquecer de vivê-la.
Porque, mesmo cansada, eu sei que minhas meninas estão crescendo.
Sei que essa fase de colo, de mamazinho, de faz de conta, de me chamar para tudo… um dia vai acabar também.
E talvez essa seja uma das coisas mais difíceis da maternidade:
querer descansar sem querer que o tempo corra.
Querer que passe, mas querer aproveitar.
Querer um pouco de silêncio, mas saber que um dia talvez eu sinta falta exatamente desse barulho.
Tem dias em que sobreviver já é bastante
Eu queria terminar esse texto com alguma grande descoberta.
Uma fórmula.
Uma mudança de rotina que resolveu tudo.
Mas não tenho.
Ainda estou cansada.
Minha filha ainda acorda à noite.
A rotina ainda continua.
E amanhã provavelmente alguém vai me pedir alguma coisa antes de eu conseguir tomar meu café. 😂
Então talvez, por enquanto, seja só isso.
Reconhecer que existem fases em que a gente não vai conseguir entregar a nossa melhor versão todos os dias.
E que isso não apaga todo o amor que existe ali.
Tem dias de brincar muito.
Tem dias de ensinar.
Tem dias de fazer programa bonito em família.
E tem dias em que a vitória é todo mundo chegar ao final do dia alimentado, abraçado e relativamente inteiro.
Por aqui, estamos nessa fase.
Cansados.
Tentando.
Errando um pouco.
Acertando outro tanto.
E seguindo.
Descansando quando dá.
Aceitando quando não dá conta.
E tentando estar presente o suficiente para não perder tudo aquilo que eu sei que um dia vai virar saudade.
Porque eu sei que essa fase vai passar.
Mas, enquanto ela não passa, talvez eu precise aprender que nem todos os dias precisam ser extraordinários.
Alguns só precisam terminar. 😂🤍
Com carinho, Mamãe Ju