Mamãe Ju

Quem eu sou agora?


Antes de ser mãe, eu sabia exatamente quem eu era.

Eu tinha estudado, feito pós-graduação, concluído um mestrado e construído meu próprio negócio.

Minha vida profissional não era apenas uma parte da minha rotina. Ela fazia parte da forma como eu me enxergava.

Quando decidi ter minha primeira filha, eu também tinha um plano muito claro.

Ficaria com ela nos primeiros seis meses. Depois, colocaria na escolinha e voltaria a trabalhar da mesma forma que trabalhava antes.

Parecia simples.

Organizado.

Com começo, meio e fim.

Só que então ela nasceu. 🌷

E eu me apaixonei pela maternidade.

Não apenas pela minha filha, mas também por estar perto, acompanhar suas fases, perceber suas mudanças e fazer parte de cada descoberta.

Aquele plano tão bem definido deixou de fazer sentido.

Eu não queria voltar à rotina anterior como se nada tivesse mudado.

Porque tudo tinha mudado.

A profissional continuou existindo — mas em outro lugar 💻

Eu não deixei de trabalhar.

Continuei atendendo, produzindo e tentando manter minha vida profissional viva.

Mas o trabalho passou a acontecer nos espaços que sobravam.

Durante uma soneca.

À noite.

De madrugada.

Entre uma mamada, uma brincadeira, um banho e uma interrupção.

O que antes ocupava o centro da minha vida passou a ser encaixado nas brechas.

E, naquele momento, isso não me incomodava.

Minha prioridade era estar com minha filha.

Depois veio minha segunda filha, e a história se repetiu.

Mais uma vez, escolhi desacelerar a carreira para acompanhar de perto os primeiros anos dela.

Eu faria tudo de novo.

Não sinto que perdi esse tempo.

Estão sendo anos intensos, cansativos e, ao mesmo tempo, muito felizes.

A maternidade não foi um intervalo vazio na minha vida.

Ela foi e é a minha vida. 🤍

Mas agora alguma coisa está mudando 🌱

Minha filha mais nova já está crescendo.

Em breve, provavelmente começará a frequentar a escolinha por meio período.

E, pela primeira vez em muito tempo, começo a enxergar a possibilidade de voltar a investir mais na minha carreira.

Era para isso me deixar animada.

E, em parte, deixa.

Mas também me dá medo.

Medo de não saber mais trabalhar como antes.

Medo de ter perdido espaço.

Medo de não ser mais uma boa profissional.

Às vezes, parece que tudo o que sei fazer é cuidar das minhas filhas.

E o mais confuso é que eu gosto muito disso.

Eu amo ser mãe.

Apesar das brincadeiras sobre o cansaço, o caos, a falta de silêncio e o café sempre frio, a maternidade tem sido o centro da minha vida nos últimos anos.

Ela me preencheu.

Ela me transformou.

Mas agora eu me pergunto:

Quem sou eu para além dela?

Eu ainda sou a mulher que existia antes?

A mulher que estudou, trabalhou e construiu uma carreira ainda está aqui?

Ou ela ficou para trás enquanto eu aprendia sobre sono infantil, introdução alimentar, doenças, birras e tantas outras coisas que passaram a ocupar minha cabeça?

Eu olho para o caminho profissional que construí e penso em tudo o que lutei para conquistar.

Então sinto que deveria voltar.

Retomar.

Crescer.

Investir novamente em mim.

Mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim ainda quer continuar perto das minhas filhas, vivendo a rotina delas e acompanhando de perto essa fase que passa tão rápido.

Talvez o mais difícil seja sentir que preciso escolher.

Como se ser uma boa mãe significasse abrir mão da profissional.

Ou como se retomar a carreira significasse abandonar uma parte da maternidade que amo viver.

Talvez eu não precise voltar a ser quem eu era ✨

Tenho pensado que talvez o meu erro esteja justamente em imaginar que preciso voltar.

Voltar para a profissional que eu era.

Voltar para a rotina que tinha.

Voltar para a vida de antes.

Mas aquela vida não existe mais.

E eu também não sou mais a mesma.

A maternidade mudou minhas prioridades, minha forma de organizar o tempo, meus medos, minha força e até o significado que dou ao trabalho.

Talvez eu não precise escolher entre a mulher e a mãe.

Talvez eu precise descobrir como essas duas partes podem existir juntas agora.

Não da mesma forma de antes.

Não com o mesmo ritmo.

Mas construindo uma nova versão de mim.

Uma profissional que também é mãe.

Uma mãe que ainda tem sonhos próprios.

Uma mulher que pode amar profundamente a vida dentro de casa e, ao mesmo tempo, querer recuperar espaços que também lhe pertencem.

Eu ainda não tenho uma resposta

Não sei exatamente como será essa retomada.

Não sei se vou voltar com a mesma confiança.

Nem sei ainda o que quero construir profissionalmente daqui para frente.

Mas talvez não saber também faça parte.

Passei os últimos anos aprendendo a ser mãe.

Agora, talvez esteja começando a aprender quem sou depois que me tornei uma.

E isso assusta.

Mas também pode ser o começo de alguma coisa nova. 🌷

Não quero apagar a mulher que eu era.

Também não quero diminuir a mãe que me tornei.

Quero encontrar um jeito de ser as duas.

Mesmo que, por enquanto, eu ainda esteja tentando descobrir como.🤍

Mamãe Ju ♥